A Incrível e Fantástica Jornada do Pinhão com Dendê
Registros de uma Viagem Aquelística.Arquivo para Abril, 2008
Poema de Viagens
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes.
(Cecília Meireles)
On the Road
Vamos todos encarnar um pouco de Sal Paradise e passear por aí, tentar inflamar aventura e enxergar poesia na poeira que fica pra trás na estrada.
Não sei porquê, mas parece haver um pouco de sabedoria budista nas estradas, como luxúria nas curvas de uma estrada, separadas por aquelas linhas amarelas que teimam em ficar constantes/inconstantes/constantes. Não ultrapassar em faixa contínua, por sinal.
Viagem é antônimo de tédio, mas o tédio tende a aparecer entre uma paisagem e outra e, se pudesse, chamaria sua atenção e comentaria como é bonita aquela árvore ali, ó! Olha ali!
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Agora saca só esse pessoal aí na frente. Estão preocupados
contando os quilômetros, pensando em onde irão dormir esta
noite, quanto dinheiro vão gastar com gasolina, se o tempo
estará bom, de que maneira chegarão onde pretendem.
- e quando terminarem de pensar já terão chegado onde pretendem -
e quando terminarem de pensar já terão chegado onde queriam, percebe ?
Mas parece que eles tem que se preocupar e trair suas horas,
cada minuto e cada segundo, entregando-se a tarefas aparentemente urgentes, todas falsas; ou então a desejos caprichosos puramente angustiados e angustiantes, suas mentes jamais descansam, não encontram a paz, a não ser que se agarrem a uma preocupação explícita e comprovada, e tendo encontrado uma, assumem expressões faciais adequadas, graves e circunspectas, e seguem em frente, e tudo isso não passa, você sabe, de pura infelicidade, e durante todo esse tempo a vida passa voando por eles e eles sabem disso, e isso também os preocupa, num círculo vicioso que não tem fim.
(Dean Moriarty para Sal Paradise, On The Road)
